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Declaração de ULTIMATO do Povo de Vieques à Marinha de Guerra dos Estados UnidosAprovada pela Assembléia do Povo de Vieques celebrada hoje, sábado, 31 de julho de 1999 em Vieques, Porto Rico.
O Povo Viequense, com o apoio unânime de todos os setores da comunidade porto-riquenha e com o respaldo do Governo de Porto Rico, exige o cessar permanente de todas as práticas, exercícios e outras atividades bélicas das forças militares norte-americanas em Vieques, Porto Rico; a saída imediata de todo seu pessoal, equipamento e aparelhos da Ilha Município; e a devolução de todos os territórios ocupados atualmente por qualquer setor ou departamento de suas forças militares para o Município de Vieques. Proclamamos nosso direito inalienável de construir um futuro de paz e bem-estar e continuar a luta histórica e heróica em que por mais de seis décadas nos temos empenhado sem trégua para terminar o abuso que comete a Marinha de Guerra dos Estados Unidos em Vieques. Reafirmamos o compromisso do povo viequense e de tod@s @s porto-riquenh@s de respaldar o direito de nossos pescadores de defender nossos recursos marinhos. Acusamos a Marinha de Guerra dos Estados Unidos de contaminar nosso ar, água e terra e assim contribuir significativamente para o altísimo nível de câncer e de outras doenças relacionadas com a degradação do ambiente que afetam nossa população. Nós responsabilizamos a Marinha de Guerra dos Estados Unidos pelas mortes, feridos, doentes e demais vítimas de suas atividades militares durante estas seis décadas; assim como pelo profundo dano psicológico causado a nossas crianç@s. Lastimamos profundamente o uso em Vieques de projéteis de urânio reduzido, bombas de NAPALM e outras armas químicas e tóxicas internacionalmente condenadas devido a seu impacto nefasto sobre a saúde e o ambiente. Demandamos que o governo norte-americano providencie a limpeza de todos os desperdícios e materiais tóxicos da Ilha de Vieques, assim como a descontaminação das áreas utilizadas para suas práticas militares, incluindo a remoção e desativação de bombas e munições. Acusamos a Marinha de Guerra dos Estados Unidos de obstaculizar, por mais de meio século, o desenvolvimento saudável de nossa economia, obrigando nossa gente a emigrar em busca de trabalho e bem-estar, o que resulta na desintegração familiar. Exigimos do governo dos Estados Unidos uma indenização justa pelo uso das terras, pelo dano ocasionado à população viequense e a seu meio ambiente, assim como pelo custo da descontaminação de todo o território viequense. Declaramos a Marinha uma entidade usurpadora de nosso território, cuja presença e atividades violam o direito natural do povo viequense de desfrutar de seus recursos naturais e de seu direito à paz. Devido à Marinha norte-americana não cumprir as exigências do povo, declaramos a intenção de tod@s l@s viequenses e dos milhões de porto-riquenh@s solidári@s no resto do Arquipélago Porto-riquenho e nos Estados Unidos, de participar, e apoiar os atos que levamos a cabo dentro de terrenos restringidos pelas forças militares em Vieques. Responsabilizamos o governo dos Estados Unidos por qualquer dano ou prejuízo contra qualquer porto-riquenh@ que exerça seu direito de defender sua terra. Declaramos também que nem a repressão, nem prisões poderão debilitar a determinação do povo viequense-porto-riquenho de resgatar da Marinha de Guerra norte-americana o patrimônio territorial que pertence por direito histórico e natural ao povo viequense. Esta Declaração de Ultimato será entregue aos oficiais militares em Vieques, ao Presidente dos Estados Unidos, às Nações Unidas e ao Governador de Porto Rico. Aprovada em Assembléia do Povo de Vieques celebrada hoje, sábado, 31 de julho de 1999 en Vieques, Porto Rico. Nós, os abaixo assinados, em representação da sociedade
civil viequense-porto-riquenha, endossamos a Declaração
de Ultimato do Povo de Vieques dirigido à Marinha de Guerra dos
Estados Unidos e aprovada em Assembléia em Vieques a 31 de julho
de 1999.
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